
Lendo o blog de uma escritora carioca, a qual me tem dado muito prazer na leitura, deparei-me com um assunto novo para mim. Afinal blogs são ou não são autobiográficos?
Lembro-me muito bem do dito: “A ignorância é a casa do sossego!” e gostaria de tentar conduzi-los por uma linha de raciocínio a partir daquele dito. Alerto ainda que não quero causar qualquer incomodo a ninguém, mesmo sabendo que “o inferno está cheio de boas intenções”, vou escrever.
Quem desconhece um assunto ou conhece pouco sobre ele tende a banalizá-lo. Por exemplo: Ninguém fica horrorizado com a situação política do Irã se não assistisse TV ou ouvisse rádio. Ou seja, não se pode sentir qualquer coisa em relação àquela situação sem a conhecê-la.
Outro exemplo: Muitos fumantes do passado nunca pensaram que o tabagismo pudesse influenciar no aparecimento de diversas doenças, assim como os cânceres. O que um câncer de bexiga tem com o tabagismo. Resposta: Muito. Carcinógenos inalados chegam à corrente sanguínea, são concentrados na urina e armazenados por um bom tempo na bexiga, onde desempenham seu papel tumorogênico. Estão vendo? Quem sabia, ótimo! Quem não sabia pode ficar mais atento à fumaça dos cigarros.
Quando enxergamos algo é porque aquilo pôde ser captado/percebido pelos nossos órgãos dos sentidos. Qual mulher que não se indignou com seu namorado/esposo porque ele não enxergava o objeto procurado abaixo do próprio nariz? Qual o homem que não ficou assustado com a esposa/namorada pois ela não conseguiu ver um ponto distante na paisagem?
Só enxergamos o que estamos preparados para ver ou aquilo que nos causa incômodo. Quando percebemos pessoas, amigos (e nós mesmos) passando por uma situação qualquer e começamos a refletir sobre ela... fomos pegos! Começamos a enxergar. Só podemos “enxergar” devido a nossa capacidade e não pela capacidade do outro. A outra pessoa pode não “enxergar” nada.
O ângulo de visão pode ser completamente diferente frete à mesma situação ou coisa. A visão do observador pode ser míope, ele pode sofrer de catarata, ou a retina pode estar eternamente manchada por uma imagem que não existe mais.
As folhas do salgueiro são verdes na face superior, mas quem está vendo-as por baixo pode acreditar que elas sejam por inteiro prateadas. Podemos alertar nossos amigos sobre o que está acontecendo e eles podem não nos ouvir, pois não conseguem ver o mesmo que vimos, e podemos nós mesmos estarmos vendo a situação pelo ângulo inadequado.
Questões levantadas e ruminadas, mesmo que de outrém, recebem nosso tratamento. De um jeito superficial, profundo, de um outro jeito, não importa. Processamos informações que recebemos para formar um juízo da questão, sempre baseado no que vimos, sentimos e vivemos. O produto deste processo, e tão nosso, pode ser ou não exteriorizado. Se paramos para pensar sobre algo, perdemos nosso tempo para formular um juízo da questão, ganhamos mais experiência em processar pensamentos, podemos partilhar posturas, podemos juntar pontos de vista para criar um terceiro ou mesmo ver a mesma questão com outros olhos. Este processo nos traz experiências de vida, pode nos tornar mais maduros, ajudando a escrever nossa história.
Se os blogs são autobiográficos, temo em dizer que muitos deles são sem percebermos.
Acredito ainda que quando atuamos como artistas criadores e inventamos um novo texto, artesanato, uma nova forma de arte, mesmo que "inventada" com inspiração vinda de sei-la-de-onde, colocamos parte de nossa realizada e da matéria que nos formou. Para fechar gostaria de usar o jargão: “Toda obra tem um pouco do artista” se não ele por completo.